hitlodeu, o loroteiro

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o artigo da elizabeth mccutcheon que indiquei aqui parece-me bastante importante: na interpretação do papel de rafael hitlodeu, segundo a autora, é muito mais relevante o nome rafael do que o sobrenome (ou será cognome?) hitlodeu - loroteiro, enrolador, que fica falando bobagem etc.

rafael, em suas várias atribuições simbólicas e concretas, acaba parecendo uma espécie de cassandra. até pode dizer a verdade, até pode indicar o remédio, o caminho da cura e da salvação, mas a impressão que dá é como se hitlodeu fosse um apodo externo, uma alcunha dada por outrem. "ah, esse cara está sempre inventando histórias."

mccutcheon não desenvolve esse ponto, mas seria a ilação lógica da coisa, que ela menciona apenas de passagem: rafael sendo hitlodeu, a utopia descrita por ele não passa de uma "tall traveller-tale", uma baita lorota, conversa de pescador, como dizemos nós.

o que me pergunto é: ele se chama ou os outros o chamam hitlodeu? seria aí como trasímaco dizendo a sócrates: "pare de dizer tanta bobagem", referência implícita já bastante explorada por vários autores.

sobre outra possibilidade, rafael bom-papo, vide aqui.