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rafael bom-papo

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encontrei uma interpretação de hythlos que vai menos no sentido de lorota, invencionice, história de pescador,  e mais no sentido de conversa à toa, aquele papo de horas sobre qualquer coisa.
mas, se entendo bem, não é que conversa à toa vise necessariamente ao prazer - ao conhecimento não visa, claro;
ficar falando disso e daquilo é mais para passar o tempo.

e, se o cara leva jeito para a coisa, acaba sendo mesmo um papo agradável.


richard halpern, the poetics of primitive accumulation -  english renaissance culture and the genealogy of capital (p. 142)
sobre rafael loroteiro, vide aqui.

ironia

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uma tese muito interessante: a ironia em a utopia de thomas more - ideologia e história, de cláudio stieltjes, disponível aqui.

aliás, muito instigantes as considerações sobre o bobo da corte.

recursos sonoros

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um artigo muito interessante de ana cláudia romano ribeiro: "traduzindo os recursos sonoros do livro I da utopia para o português do brasil". disponível aqui.


um breve esclarecimento

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em seu interessante artigo "por uma nova tradução de utopia", aqui, márcio meirelles gouvêa júnior comenta que o conjunto de "imperfeições, omissões, confusões ou falhas, grandes ou pequenas" das traduções anteriores foi o motivo decisivo que o levou a empreender uma nova tradução.

para ilustrar sua afirmação, detém-se particularmente sobre a de luís de andrade, publicada pela athena editora em 1937:

"O texto, cuja orelha do livro permite uma frágil e imprecisa suposição de que talvez tenha sido traduzido originalmente do latim, sem contudo qualquer comprovação ou indicação precisa seja do autor seja do editor, parece ter tido como escopo tradutório a tentativa de facilitar ao máximo a versão final para o leitor, de tal maneira que à concisão e à elegância do texto latino de More corresponderam muitas vezes as verborrágicas paráfrases explicativas no português da virada do século XX, dotadas de uma coloquialidade de certo modo estranha ao texto original. Da me…

hitlodeu, o loroteiro

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imagem aqui
o artigo da elizabeth mccutcheon que indiquei aqui parece-me bastante importante: na interpretação do papel de rafael hitlodeu, segundo a autora, é muito mais relevante o nome rafael do que o sobrenome (ou será cognome?) hitlodeu - loroteiro, enrolador, que fica falando bobagem etc.

rafael, em suas várias atribuições simbólicas e concretas, acaba parecendo uma espécie de cassandra. até pode dizer a verdade, até pode indicar o remédio, o caminho da cura e da salvação, mas a impressão que dá é como se hitlodeu fosse um apodo externo, uma alcunha dada por outrem. "ah, esse cara está sempre inventando histórias."

mccutcheon não desenvolve esse ponto, mas seria a ilação lógica da coisa, que ela menciona apenas de passagem: rafael sendo hitlodeu, a utopia descrita por ele não passa de uma "tall traveller-tale", uma baita lorota, conversa de pescador, como dizemos nós.

o que me pergunto é: ele se chama ou os outros o chamam hitlodeu? seria aí como trasímaco di…

ufa

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eu tinha ficado encafifadíssima com uma indicação que vi em alguns artigos sobre nossa primeira tradução brasileira de utopia, de 1937. segundo essa indicação, o tradutor luís de andrade (na época grafado com z, luiz) seria o engenheiro pernambucano luiz de carvalho paes de andrade (1814-1887).

por várias razões que não vem ao caso expor aqui, a coisa não fazia o menor sentido para mim. fui atrás. bom, após algumas consultas, descobri que a origem exclusiva da referência era a ficha catalográfica da obra registrada no sistema dedalus, da usp.

escrevi para lá, pedindo que me informassem de onde haviam extraído aquela bendita informação de que luiz de carvalho paes de andrade (o qual, até onde sei, jamais traduziu uma única linha) teria sido o tradutor de utopia (a qual, até onde sei, jamais fora publicada no brasil antes de 1937, muito menos no século XIX).

claro que não comentei nada disso em minha consulta. apenas pedi a fonte da referência. não sei que diligências fizeram, nem como ras…

márcio meirelles falando de sua tradução

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encontra-se na revista morus - utopia e renascimento um interessante artigo de márcio meirelles gouvêa júnior falando de sua tradução da utopia. disponível aqui.


no brasil: a revista morus

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no brasil, temos a fabulosa iniciativa de carlos berriel, a revista morus - utopia e renascimento, coeditada porana cláudia romano ribeiro e  hélvio moraes. pode ser consultada aqui.


baker-smith falando de sua tradução

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um artigo indispensável: on translating more's utopia, de dominic baker-smith, disponível aqui.



rafael

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a fortuna crítica de utopia é imensa, densíssima, praticamente não temos nem como fazer ideia. então, aos poucos, vou pegando uma coisinha aqui, outra ali.

e entre os infindáveis deslindes, encontrei um muito interessante, de elizabeth mccutcheon (que está entre os principais estudiosos contemporâneos de more), sobre a figura de rafael: thomas more, raphael hythlodaeus, and the angel raphael, aqui, com acesso livre para leitura online.





as distopias brasileiras

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infelizmente, também existem fraudes de tradução da utopia no brasil.

uma delas é a edição publicada pela rideel, atribuindo-a ao nome de heloísa buratti, que apresentei aqui.
outra é a edição publicada pela martin claret, atribuindo-a ao nome de pietro nassetti. a esse respeito, ana cláudia romano ribeiro alerta em seu artigo "as traduções brasileiras de a utopia de tomás morus", disponível aqui:"Na edição da Utopia publicada em 2004 pela Martin Claret lê-se na primeira página: 'Tradução: Pietro Nassetti'. Na edição de 2008, temos 'Tradução e notas: Maria Isabel Gonçalves Tomás'. A edição de 2004, porém, reproduz ipsis litteris o texto da tradução de Maria Isabel Gonçalves Tomás, cuja tradução da Utopia foi publicada pela portuguesa Publicações Europa-América".
esse caso da martin claret é tanto mais grave pois a edição espúria começou a ser lançada em 2000, com reedições praticamente anuais até 2008, quando parece ter-se convencido a dar os verdadei…

as utopias brasileiras

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depois da tradução de luís de andrade, lançada pela athena em 1937, que comentei aqui, somente em 1980 sai outra. essa nova tradução foi feita por anah de melo franco [ana guilhermina pereira de melo franco], com apresentação de seu marido afonso arinos de melo franco.

unb/ipri, edição de 2004
ela saiu pela editora da unb, em sua coleção clássicos ipri. também foi vertida do francês, na tradução de paul grunebaum-ballin a partir do neolatim (1935). a tradução de anah de melo franco foi reeditada pela unb em 2004, acrescida de um prefácio de joão almino. encontra-se disponível para download aqui.


em 1993, a martins fontes publica a tradução de jefferson luiz camargo e marcelo brandão cipolla, na edição cambridge de logan e adams. foi revista e ampliada em sua terceira edição, em 2009, pela wmf.

wmf, edição de 2009

em 1997, sai pela l&pm a tradução de paulo neves. não sei qual foi a edição utilizada.

l&pm, 1997

em 2016, a vozes publica a tradução de leandro dorval cardoso, a pri…

utopia no brasil

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temos a primeira tradução brasileira da utopia em 1937, pela athena editora. foi feita por luís de andrade* a partir do texto em francês, que fora vertido do neolatim por victor stouvenel (1842). essa tradução de luís de andrade continua em viva circulação: depois de várias reedições na athena, passou pela ediouro, pela coleção "os pensadores" da abril cultural e da nova cultural, pela escala e a edição mais recente creio que é pela edipro. embora sem os créditos de tradução, está disponível aqui.

* não me surpreenderia se "luís de andrade" fosse pseudônimo. voltarei ao tema.





em que pese o "moore" em vez de more na capa, é uma tradução agradável e fiel à versão de stouvenel, a qual, porém, é um tanto enxuta em relação ao original (disponível aqui).

a pedra fundamental

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hoje colocamos a pedra fundamental: para o gentílico, ficamos com utopianos.

veja-se o plebiscito feicebuquiano aqui.

a que vem

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nesses dias começo a tradução da utopia de thomas more,  nessa última edição da penguin, em tradução de dominic baker-smith. 


a ideia é registrar aqui nesse blog de acompanhamento  questões curiosas, dilemas tradutórios, materiais diversos.